“Na natureza nada se cria, tudo se transforma”

Você descobre que gosta muito de um jogo, uma animação e um filme e isso faz com que você queira narrar uma aventura de RPG baseada nisso. Então você quer trazer e as vezes reproduzir exatamente o que você viu em lutas que o Keanu Reeves fez em Jhon Week, talvez incorporar o Hashira favorito de Demon Slayer caçando onis… Minha recomendação para você é: PARE NESTE EXATO MOMENTO DE FAZER ESSA BESTEIRA.

Você está dizendo que eu não sou capaz de narrar uma aventura assim?

Claro que não, inclusive essa história que você quer contar já foi contada e provavelmente você só irá estragar ela.

Qual a minha dica?

Conte o lado B da história. Se você quer contar uma história de Demon Slayer, por que não conta parte da história que aconteceu no passado, a exemplo utilize o caminho de um caçador iniciante até se tornar um hashira de 200 anos antes do Tanjiro ter sua família devorada pelo Muzan. Você vai poder ter personagens incríveis que poderão compor aquilo que você deseja para a história.

Não, eu insisto e quero contar no mesmo tempo da história.

Para que isso realmente se torne favorável, elimine os personagens principais da obra e conte a história com os personagens de seus jogadores vão fazer parte de tudo.

Meu melhor exemplo para isso é quando eu jogava Gurps Supers e era no ambiente baseado em X-men. Não negamos nenhum herói da Marvel nas histórias, porém éramos um outro grupo de mutantes, que enfrentavam outras ameaças que pertenciam aquele cenário. Criamos nossos personagens, nossa escola para garotos super dotados e nossos vilões para a aventura. Vez ou outra, encontrávamos um personagem existente da casa das ideias, mas eles só nos forneciam algo, ou trazia alguma informação para nós e não esbarramos em nenhum personagem querendo derrotar o Ciclope só por que ele é meio chato.

Em contra partida, meu maior erro como narrador foi querer contar minha versão de Cavaleiros do Zodíaco a partir do Torneio Galático e na primeira sessão um jogador matou o Nachi de Lobo e arrancou a perna do Ikki de Fênix. Desisti de narrar naquele momento. Apesar de a história ser contada de uma outra ótica, eu como narrador me frustrei com a vontade dos jogadores de querer fazer outra coisa com a história.

Então seguindo sua lógica não devemos jogar uma aventura pronta?

Pelo contrario, aventuras prontas auxiliam uma narrativa que já traz elementos conhecidos, porém ela não incentiva você a jogar com os mesmos personagens que existem naquela streaming que você tanto gosta.

Só que preste atenção!

Se você quer contar uma aventura pronta, principalmente aquela que tem streaming rolando que possui uma base de fãs para ela, tente contar sua versão da história que existe. Não navegue por águas novas, seus jogadores querem jogar aquilo que foi apresentado.

Eu tive experiências diferentes e consegui o resultado exato com a história.

Parabéns, mas será que seus jogadores realmente decidiram as ações a tomar baseado em suas ideias ou naquilo que conta a história? Não que isso não possa ter sido divertido, mas RPG é você trazer sua interpretação de seu personagem. Eu como jogador, nunca iria numa história tomar as mesmas atitudes que o Itadori toma em Jujutsu Kaisen e talvez, somente talvez, teria me tornado estudante da escola Jujutsu uma vez que eles queriam me matar… Possivelmente teria adotado só a forma do Sukuna e varrido a escola.

Não existe só um caminho na aventura, cabe aos jogadores quererem colocar seus personagens para tomar atitudes boas e ruins. Que jogador não faz um pacto com um demônio no meio da Dungeon só pra ver onde isso vai dar?

Imagina você poder escrever a sua versão da sua história com o personagem que você quer, mas sem “estragar” o que você mais gosta.

Talvez isso seja mais um desabafo do que uma vontade de ditar regras sobre como você quer jogar seus jogos. Pois eu quero muito jogar aventuras baseadas nos meus animes favoritos, fazer meu detetive sobrenatural e corrigir as cagadas que o Koema espalha na terra… Referencia de velho!