Orla do Dragão

Sambúrdia? Sério?

Vamos ser honestos.

Quando você está conhecendo Arton, o cenário de Tormenta 20, qual reino é o mais marcante? O reino de Deheon? Petrynia? Alguma outra região do mundo como as Montanhas Sanguinárias ou o Deserto da Perdição. Poucos imaginam começar uma campanha em Sambúrdia, hoje conhecida como as Repúblicas Livres. E foi exatamente aí que eu vi a minha chance.

Embora Sambúrdia tenha sido palco de alguns eventos marcantes no passado de Arton, ela nunca teve muito destaque na história recente do mundo, tirando a separação do Reinado. Na verdade, era vista apenas como o “celeiro” de Arton. Contudo, ao olhar mais atentamente o mapa e o histórico da região, percebi que ela era, na realidade, o lugar perfeito para uma campanha que utilizasse todo o conteúdo do livro, com pouquíssimas adaptações.

Você pode usar qualquer ameaça do livro básico em Sambúrdia.

Ainda não está convencido? As Repúblicas têm uma vasta extensão de terras e cidades muito afastadas. A ausência de patrulha nas estradas as torna ideais para grupos de bandidos e saqueadores, e também para a migração do povo Duyshidakk. Ao norte, faz fronteira com as Montanhas Sanguinárias, facilitando o aparecimento de monstros errantes ou bestas selvagens. Ao sul, Sambúrdia faz divisa com Aslothia, o Reino dos Mortos-Vivos, o que permite a invasão de criaturas ou a expansão do Arquilich. E ainda tem a Floresta das Escamas Verdes, cheia de dragões!

Além disso, os lordes mercadores fornecem alimentos tanto para o Reinado quanto para os puristas. Com tanta disputa política na capital, é o ambiente ideal para os szzaazitas se espalharem. As Repúblicas também fazem fronteira com Trebuck, um território com uma perigosa área da Tormenta.

As Repúblicas Livres de Sambúrdia são o local ideal para uma cidade-base como Luminare, onde qualquer narrador pode criar campanhas e aventuras usando qualquer criatura do livro básico sem muito esforço. Você não precisa nem sair do reino para fazer uma campanha do nível 1 ao 20. Foi exatamente o que eu fiz: na data deste texto, os aventureiros da minha campanha estão no nível 16 e nunca saíram das fronteiras das Repúblicas. Eles já enfrentaram uma miríade de ameaças do livro básico e até algumas do livro Ameaças de Arton.

“É preciso povoar as Repúblicas Livres de Sambúrdia.”

Uma boa razão para a escolha é que o território é gigantesco, mas pouco povoado. Entretanto, com nobres gananciosos em busca de riquezas ou da manutenção de seus territórios. As terras de Sambúrdia são as mais férteis de toda Arton, facilitando a prosperidade de um vilarejo que pode, rapidamente, crescer e se tornar uma cidade.

Luminare era um vilarejo próximo à Floresta das Escamas Verdes. Era praticamente um loteamento de terras de nobres que queriam casas de veraneio a poucos dias do Balneário Zannar, um importante polo comercial. Mantendo uma distância segura dos dragões e seus territórios, o povo de Luminare estava protegido até de monstros, que temiam os dragões.
Quando a Guerra Artoniana estourou no Reinado, as Repúblicas Livres de Sambúrdia acolheram muitos refugiados não-humanos, que fugiam do conflito. Com o tempo, eles se estabeleceram em acampamentos à margem do vilarejo e, aos poucos, foram sendo incorporados à comunidade. Acordos foram feitos e as terras dos nobres foram ocupadas por novos servos. Em poucos anos, Luminare cresceu de vilarejo para cidade.

Essas circunstâncias facilitaram a criação de qualquer personagem, humano ou não, que poderia ser um refugiado ou um nativo de Sambúrdia. Ou até mesmo um aventureiro errante em busca de um contrato com um rico nobre comerciante. Isso tornou muito mais fácil integrar as ideias dos jogadores ao cenário de Luminare.

À margem do Rio Soupar, Luminare prosperará.

As Repúblicas Livres de Sambúrdia, com sua postura independente e neutra nos conflitos políticos, foram o território perfeito para a cidade de Luminare. A proposta era ter um lugar onde o narrador pudesse usar todo o material do livro básico sem grandes dificuldades.

Sambúrdia provou para mim que era o lugar perfeito para a campanha e que Luminare seria um ótimo ponto de partida.

Quer conferir com Luminare ficou nesses 3 anos de live? Assista a todos os episódios no nosso canal do youtube. Também nos acompanhe quinzenalmente aos domingos, às 18 horas, no nosso canal na twitch.

Eu amo Tormenta 20, mas faltava algo.

Jogo RPG há um bom tempo. Já joguei vários sistemas e cenários com amigos e uma constante na minha vida rpgista foi Tormenta. O cenário de rpg nacional que nasceu na edição 50 da Dragão Brasil tinha tudo que eu gostava (e ainda gosto). Uma estética anime, fantasia medieval, um sistema simples e que permite criar personagens diversos. E o diferencial: era nacional. Não precisava torcer para uma boa alma numa editora trazer um livro e suplemento traduzido e que defasagem imensa! Se você não sabia inglês e tinha acesso a livros importados, você não teve acesso nem à metade dos livros de Storyteller e D&D lançados na gringa.

Tormenta tinha o básico. Era multissistema e já vinha com algumas cidades: Valkaria, Vectora e Malpetrim. Essa última minha favorita. Malpetrim foi palco de grandes aventuras do cenário. Disco dos três, Holy Avenger, Invasões Táuricas. Ela funciona quase como uma cidade dos aventureiros e era fácil explicar qualquer histórico maluco de personagem (Valkaria também tem essa função) e um bom início de partida. Era muito fácil para um narrador iniciante usar a cidade até como base principal dos herois. Esse foi um dos grandes acertos do Tormenta RPG que vinha com a cidade detalhada para você ambientar suas aventuras ou início delas. E infelizmente, essa cidade inicial perfeita não veio com Tormenta 20.

Como decidir fazer uma cidade cenário.

Foi dessa necessidade de ter uma cidade base que nasceu Luminare. No início de Tormenta 20, após o lançamento, eu tive a necessidade de criar uma cidade base, que funcionasse como “ponto de luz” para os personagens. Por mais hostil que fosse os ermos de Arton, Luminare seria um lugar acolhedor que tivesse, npcs queridos, lojas para negociar e uma taverna aconchegante para contar as vitórias e pegar missões no mural de pedidos. Na época eu nem chamava o cenário de Luminare. O nome da cidade era Recomeço. A ideia era que fosse um lugar que as pessoas fossem para recomeçar a vida. Muitos personagens perderam tudo na Guerra Artoniana e eram um lugar perfeito para recomeçar. Essa era a ideia central. 

Com essa premissa, eu narrei para vários amigos, eu ia criando o cenário, conforme ia dominando o sistema T20. Na época estávamos trancados em casa. A pandemia estava controlada e foi quando o Marcus, me obrigou convidou para narrar para ele e a Lethícia. Para fechar o time eu chamei Igor (amigo em comum meu e do Marcus) e chamei o Rafael e Felipe que são amigos meus que jogam comigo há anos. E o time de jogadores estava fechado. 

Marcus fez um Moreau urso guerreiro chamado Sanji Komamura, um ex-escravo no Império de Tauron que aprendeu a lutar com um escravo tamuraniano e carrega a espada do seu falecido mestre para devolver a sua família. Lethicia fez a Mab, uma sílfide de uma casa nobre que fugiu de casa para não se casar e ter a vida que quer. Igor fez um Kliren Calahan, inventor que trabalha produzindo armas e lutando com um alter ego de Raven, caçando puristas e outros malfeitores. Rafael fez uma arcanista humana chamada Jeanne que era uma bruxa e tinha segredos obscuros e o Felipe fez um galante Matamune, um Moreau Gato Bucaneiro. 

Mais tarde, eles seriam Rafael e Felipe mudam de personagem após um fim trágico dos antigos deles (Conto essa história outro dia) e fazem a Samurai Hilrd do Clã Gozen e Faroin o anão clérigo de Arsenal. Se você acompanha as live de Luminare no nosso canal da Twitch, sabe que esses personagens já apareceram na campanha.

De mesa caseira à stream na Twitch TV.

A química dos jogadores era tão boa que jogávamos semanalmente. E no fim de uma das sessões, o Marcus solta “que essa mesa [de Recomeço] é tão boa que deveria ser uma live”. Em poucos dias, o canal Orla do Dragão foi criado e a primeira live de RPG foi do meu cenário de “Recomeço” que agora tinha que ter outro nome: Luminare

Eu mudei o nome para ter um título mais “único” e porque já tinha uma região (um bairro de Valkaria) chamado Recomeço no cânone oficial de Tormenta 20. O nome Luminare foi definido seguindo a idéia de um título que lembrasse luz, para ficar no conceito de cidade ponto de luz. Luminare significa “o que há luz” em latim. É exatamente o que eu queria que ela fosse. 

No dia 4 de agosto de 2022, a primeira live de Luminare foi ao ar, com os mesmos jogadores, mas com outros personagens e já são quase 3 anos de live. Com muitas aventuras, risadas e com insultos aos mês dados mortíferos.

Claro que tem muito mais história para contar, mas hoje foi um breve resumo e início desta coluna. Semanalmente vou escrever aqui para contar um pouco dos bastidores de Luminare. Vou falar de como pensei sobre o cenário, inspirações e detalhes do que não foi visto ou explorado da cidade e arredores.

Por hora, um forte abraço e até a próxima!